Mãe e filha pegam sarampo e a bebê tem complicações graves

O desabafo desta mãe, que está quase um mês no hospital, primeiro com ela mesma e, depois vivendo um drama com a sua filha caçula, de apenas 8 meses, é de deixar qualquer um preocupado de como o sarampo voltou e voltou com tudo.

A empresária e administradora Verônica Nery, 29 anos, não tinha tomado a vacina do sarampo durante a campanha de vacinação. Mas ela já havia tomado duas doses anteriormente. “Mesmo com a minha vida muito corrida [ela trabalha em uma empresa e ainda é dona de uma cafeteria] e sendo mãe de três crianças pequenas, eu tinha marcado de ir até o posto tomar a vacina no final de semana. Mas fiquei doente antes e fui parar no hospital”, diz ela que é mãe de Mateus, 4, Lucas, 2, e de Júlia de 8 meses.

O que Verônica não imaginava é que ela pegaria a doença, mesmo já tendo tomado duas doses da vacina anteriormente. “Tudo começou com uma amidalite, que acho que passou dos meninos para mim. Fui internada e sairam umas manchinhas no meu corpo. Os  médicos desconfiaram do sarampo e explicaram que mesmo eu tendo tomado duas doses da vacina antes, era possível pegar a doença porque o vírus fica encubado e ela vem de forma mais branda.”

Durante os 8 dias que passou no hospital, Verônica disse que ficou bastante debilitada. Ela não falava, estava muito fraca e teve taquicardia, aceleração dos batimentos cardíacos. “Um dia a enfermeira chegou no quarto para me ver e só lembro dela apertar o sinal de emergência porque eu estava com 158 batimentos por minuto, sendo que tinha tomado vários remédios e estava de repouso”, disse.

Foram feitos vários exames cardiológicos, os batimentos cardíacos de Verônica voltaram ao normal e ela foi se recuperando aos poucos. A confirmação de que as manchas se tratavam do sarampo veio no dia da alta. Era hora de voltar para casa e fazer surpresa para as crianças que ficaram quase uma semana sem ver a mãe.

Com a confirmação do exame, o prédio que Verônica mora, os amigos e a escola dos filhos foram avisados para que todos pudessem fazer a dose de bloqueio.

Assim que chegou em casa, Verônica só pensava em se recuperar na companhia do marido e dos filhos. Mas foi surpreendia com a filha Júlia, de 8 meses, com febre. “Achei que era o dente nascendo ou uma gripe”, diz. Mas, a febre alta da menina, de 39 graus, não baixava com medicamento e ela decidiu levá-la ao hospital. “Voltei para o hospital até com a minha pulseira da internação e no mesmo dia”, conta. Como Verônica teve sarampo, os médicos já pediram o exame de comprovação da doença e as pintinhas no corpo de Júlia começaram a aparecer, mas bem mais branda do que da mãe. “Eu achei que como ela tinha recebido a dose de bloqueio, a doença viria mais amena”, diz.

Só que foi exatamente o contrário. O sarampo traz consigo complicações graves porque baixa muito a imunidade e o organismo fica mais suscetível a infecções. Uma das complicações conhecidas da doença é a pneumonia e, em casos mais graves, a encefalite (inflamação do encéfalo), que Verônica descobriu que a filha estava, devido ao seu quadro de irritabilidade. “Ela fez tantos exames porque a febre não baixava nem com remédio, estava muito irritada e a médica estava bastante incomodada com o quadro dela que pediu internação urgente na UTI. Lá detectaram a encefalite e ela começou a tomar antibiótico”, diz.

Ainda na UTI, Verônica percebeu que as pernas e braços da filha estavam roxos. Informou os médicos que fizeram exames e o especialista vascular veio com a notícia de que era trombose. Como os membros de Júlia estavam gelados, devido a não circulação do sangue, a menina teve que ser enfaixada para mantê-los aquecidos. “Foi um dos piores momentos da minha vida, eu não podia nem pegar direito ela no colo. Mas ela é tão boazinha que quase não chorava. Ficava paradinha e só mexia os olhinhos”, lembra a mãe.

Em um grupo de mães, Verônica também fez um post para conscientizar as pessoas sobre a importância da vacina. Confira:

Em tempos de sarampo…. gostaria de relatar meu pesadelo que não vai ter um final triste… para alertar outras pessoas! Vou tentar resumir…Dia 20/7 fui internada ainda sem diagnóstico, pois minha garganta estava fechada… não conseguia engolir saliva… coração disparadando… febre que voltava em menos de 6 horas.

No 3 dia de internação, surgiram as manchas na pele… exames e mais exames confirmado sarampo. eu fui vacinada… minha cartieirinha de vacinação estava super em dia! 

Fiquei em isolamento longe dos meus 3 filhos (uma bebê de 7 meses na época, um de 4 anos e um de 2 anos)!

Passando os 8 dias de internação…. que já adianto, não foram fáceis por N motivos, não só pelo emocional, como pelo físico. A imunidade cai muito com esse quadro e passamos a ficar vulneráveias a várias outras infecções… 

Durante a minha internação foi uma equipe da UBS vacinar o meu prédio inteiro, a começar pelos meus familiares, inclusiva ainda não tinha sido liberada a vacina para bebês, mas ela tomou por indicação da pediatra! Os outros 2 já tinham, as doses e tomaram reforço.

A foto pintadinha é minha

Chegou o grande dia da alta… eu e meu marido fomoso fazer surpresa para as crianças em casa… Ao chegar em casa…

A bebê com febre… aquele momento que bate o desespero… pelo contato que eu tive com ela antes de saber (sarampo transmite ainda quando não há sintomas visíveis).

Fui ao PS… ainda com a pulseira da minha internação..

Exame de sarampo feito… voltamos para casa, domingo febre novamente… e ela gemendo de dor… achei que era gripe, dente ou qlq outra coisa… na segunda saiu o resultado negativo para sarampo…. Porém, a pediatra não estava em paz, pediu que fizesse novamente… viemos e aqui ficamos… são 16 dias endo 10 de UTI….

Do sarampo, teve uma complicação; Encefalite (inflamação do cérebro). Nesse meio tempo, teve trombose em uma perna e um braço…. Quando estávamos para sair da UTI teve uma celulite no ombro (infecção de pele bacteriana)…

Teve que receber sangue… teve que ser picada mil vezes… teve que por cateter no centro cirúrgico… Tomou antibiótico… agora está com outros 2 antibióticos fortes…

Tudo foi investigado, tudo… todos os médicos… exames… ela é saudável… não tem nenhum problema de saúde… foi uma infelicidade mesmo!

Tudo isso é para alertar as pessoas, mantenham as vacinas em dia, participem das campanhas. Sarampo nem existia mais aqui… e voltou com tudo… Não foram dias fáceis, mas está acabando e está tudo bem. Deus tem nos fortalecido e falta pouco para estarmos em casa todos juntos novamente!”

 

Texto por Renata Menezes

Fonte: Revista Crescer

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