Infectologista fala sobre meningite no ‘AB Saúde’

O “AB Saúde” desta terça-feira (16) tirou dúvidas sobre meningite. No estúdio do AB1, a infectologista Isabela Veloso conversou com Almir Vilanova sobre o problema e tirou dúvidas dos telespectadores. Confira a entrevista:

TV Asa Branca: Quais os tipos de meningite?
Isabela Veloso:
 A meningite é dividida em causas infecciosas e em causas não infecciosas. Entre as meningites de causas infecciosas pode-se apresentar as bacterianas, virais, fúngicas e secundários de parasitas. Na maior parte das meningites infecciosas, principalmente os casos das bacterianas, são de maior preocupação de epidemiologia e saúde pública.

TV Asa Branca: Quais os sintomas da meningite? 
Isabela Veloso: 
Usualmente se tem a tríade da meningite, que é principalmente uma febre alta, de início súbita, associada aos sintomas de uma cefaleia intensa, podendo associar ou não a região nucal e a um quadro de desorientação, entretanto nem todos os pacientes podem apresentar esse sintomas todos juntos, entretanto apresentando pelo menos um dos sintomas a gente consegue ter uma sensibilidade de até 100% de um quadro de meningite. Então qualquer sintoma fora isso, a gente pode encontrar também sintomas não tão específicos, mas associados também ao quadro, como sintomas de náuseas, vômitos, fotofobia (sensibilidade a luz), mialgia, dor no corpo, inclusive em alguns casos podendo evoluir a um quadro de coma, dependendo do grau da doença, da virulência do agente, ou seja, da capacidade de produzir infecção, assim como também do diagnóstico tardio da doença.

TV Asa Branca: Se uma pessoa teve meningite uma vez, pode ter de novo?
Isabela Veloso:
 Pode sim, inclusive por isso que é extremamente importante a gente incentivar a profilaxia primária, que pode ser principalmente através da vacinação e também a profilaxia após o episódio da meningite, então se a pessoa teve um quadro de meningite, o ideal é fazer um acompanhamento regular com o infectologista, para fazer toda a atualização do cartão vacinal, inclusive os pacientes portadores assintomáticos crônicos têm a indicação de descolonização, de fazer com a profilaxia microbiana com uso de antibiótico por um tempo curto, mas tem sim essa possibilidade de ter a meningite outra vez.

TV Asa Branca: Quando se pode identificar essa doença nas crianças?
Isabela Veloso: 
Nas crianças acima de um e dois anos de idade os sintomas são dor de cabeça, prostração, inapetência e indisposição. Nas crianças mais novas que ainda mamam no peito, usualmente terão sintomas mais inespecíficos, a febre é um sintoma muito presente, crianças lactantes jovens pode encontrar a moleira fontanela abaulada, ou seja, terá edema na fontanela, febre, e a criança normalmente fica irritada, não mama corretamente e nota-se a criança mais parada, com aspecto de doente, e é muito importante verificar isso precocemente, porque os sintomas realmente são muito súbitos, rápidos e de demonstração clínica muito rápida, então quanto mais precocemente forem acionados os serviços de emergência, melhor o prognóstico e melhor resposta ao tratamento com antibiótico.

TV Asa Branca: Como é o contágio da meningite?
Isabela Veloso: 
O contágio vai depender do tipo da meningite, existe a meningite viral e a bacteriana. A meningite viral, dependendo dos agentes virais, os contágios serão de maneiras diferentes. Na meningite bacteriana, que também se chama de meningocócica, com a vacinação é pouco frequente, é basicamente através de gotículas, ou seja, secreções pelas vias aéreas, tanto na garganta, como do nariz, então pessoas com sintomas gripais, por exemplo, só com o contato com a secreção, com a saliva, já é o suficiente para ter contato com as secreções que já poderiam ter um quadro de infecção.

 

Por G1 Caruaru

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